sexta-feira, 18 de março de 2016

Coworking


Arrendar uma secretária, partilhar um espaço e outros recursos para trabalhar,  poupar nos custos e contar com uma rede de contactos! 

O coworking surgiu há aproximadamente uma década em São Francisco, quando Brad Neuberg, um jovem programador norteamericano, arrendou um espaço num edifício denominado "Hat Factory" aberto à comunidade, onde reuniu vários/as colegas que, trabalhando sózinhos/as, desejavam partilhar ideias e terminar com os problemas de isolamento e solidão, considerados desmoralizadores e pouco produtivos.
O coworking é uma modalidade que veio, em primeira instância, satisfazer as necessidades de muitos/as profissionais liberais de um espaço de trabalho flexível, longe das suas casas e com custos reduzidos. Uma solução simples e económica que já começa a afirmar-se em Portugal com alguma expressividade, à semelhança do que acontece noutros países por todo o mundo.
Trabalhar num espaço partilhado pode transformá-lo/a num/a coworker, sem dúvida. Muitos/as profissionais independentes, pequenas empresas start-up ou com estruturas simples que necessitam de espaços flexíveis e confortáveis para realizar o seu trabalho, experimentam a partilha de um espaço mas não só, também a partilha de ideias, de capacidades e de experiências, com uma vertente colaborativa e de intercâmbio muito acentuada.
Qualquer profissional pode tornar-se num/a coworker, sendo muito alargado o conjunto de profissionais que pode beneficiar deste modelo funcional de trabalho: informáticos/as, designers, profissionais de comunicação, de publicidade, de recursos humanos, consultores/as, advogados/as e engenheiros/as, psicólogos/as, explicadores/as, agentes imobiliários/as, entre outros.
Se há alguns anos atrás o coworking nasceu como espaço de partilha com o objetivo de controlar ou mesmo evitar os custos fixos inerentes à manutenção de um escritório, hoje representa também novas relações e afinidades entre os/as diferentes profissionais num espaço dinâmico, criativo, inovador e aberto a novos negócios. As sinergias criadas e consolidadas pela convivência de diversos/as profissionais de diferentes áreas de negócio e de atividade, que trabalham no mesmo espaço num projeto comum ou individual, potenciam rotinas cada vez mais colaborativas e a existência de uma rede de contactos ativados pela oportunidade de negócios e de promoção de produtos e serviços entre empreendedores/as e entre estes/as e o conjunto de stakeholders.
Entre as principais vantagens deste modelo de organização do trabalho destacam-se:
- benefícios financeiros (redução de custos)
- espaço flexível e funcional
- diminuição do isolamento do/a profissional
- usufruto de todos os serviços necessários ao funcionamento de uma empresa
- rede de relações e de contactos potenciadores de negócios e das  atividades (networking)
- menor expressão da predominância de cargos ou hierarquias determinam um novo tipo de ambiente corporativo
- simplificação do protocolo corporativo
- estímulo à capacidade de comunicação de pessoas menos comunicativas/mais retraídas
- aprendizagem contínua favorecida pela troca de experiências
- possibilidade de receber clientes num ambiente profissional
Já entre as principais desvantagens apontam-se:
- a utilização muito regular da comunicação telefónica pode favorecer a desconcentração dos/as demais
- cuidados acrescidos na garantia do sigilo profissional
O funcionamento de um espaço coworking implica que o/a profissional pague um valor calculado por hora ou por mês para utilizar o espaço de trabalho, eventualmente a qualquer hora do dia e da semana. A utilização poderá ainda disponibilizar espaços/armários de arrumação, sala de reuniões, telefone, internet, espaço social / lounge e apoio de refeições, computadores, impressoras e fotocopiadora, bem como, serviços de atendimento e secretariado, receção de correspondência e domiciliação de empresas, tudo isto no âmbito dos planos das empresas, de acordo com as horas e os serviços utilizados. A renda, a luz, a água, a manutenção do espaço e outros custos são da responsabilidade do/a proprietário/a das instalações.

Sabia que… a Multiaveiro, na sua génese, em 1992, então “Multiaveiro- Mediação e  Serviços” era um espaço coworking?
Num 6 ºandar da Av. Dr. Lourenço Peixinho em Aveiro, a Multiaveiro enquanto dava os primeiros passos como empresa de eventos corporativos, serviços de consultoria e de formação era também detentora de um  espaço, multifuncional, de trabalho partilhado por advogados/as, psicólogos/as, um produtor de multimédia  e uma empresa de publicidade.

A Multiaveiro continua, hoje, a disponibilizar esse serviço a profissionais independentes e a PME nas suas atuais instalações.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Enquadramento dos Projetos de Investimento nas Estratégias de Desenvolvimento Nacional e Regional do Portugal 2020



 


As oportunidades de investimento e financiamento disponibilizadas pelo Portugal 2020, em especial às Pequenas e Médias Empresas (PME), ao nível da competitividade e internacionalização, podem contribuir de forma substancial para o crescimento e sustentabilidade financeira e económica do país, bem como à sua posição no mercado europeu e mundial, enquanto economia competitiva e sustentável. No entanto, a aprovação de Projetos de Investimento que se candidatem aos fundos europeus depende de um conjunto de critérios de elegibilidade exigentes, aplicados tanto às empresas promotoras como aos seus projetos. Porém, os/as empresários/as nem sempre têm conhecimento destes critérios de elegibilidade, colocando, assim, em causa a aprovação e execução dos seus projetos de investimento.
Devido às especificidades dos Programas Operacionais, a elaboração e submissão de candidaturas ao Portugal 2020 cabe, principalmente, a consultores externos, cuja experiência e qualificação permitem garantir, com maior grau de certeza, que estes sejam aprovados e, consequentemente, que o apoio financeiro suporte maioritariamente os investimentos financeiros apresentados pelos/as empresários/as. Contudo, é importante salientar que os projetos apresentados devem partir de uma análise às necessidades da própria empresa, bem como, ao seu contexto no mercado regional e nacional, sendo esta análise efetuada, em primeira instância, pelos/as empresários/as detentores/as das empresas, com o apoio de terceiros devidamente qualificados.
Por forma a garantir o financiamento de projetos verdadeiramente essenciais ao desenvolvimento económico do país, foi estabelecido pelo Portugal 2020 que os projetos alvo de financiamento devem estar integrados, não só, na estratégia de desenvolvimento da empresa, como também, nas estratégias de desenvolvimento regional e nacional, o que em termos práticos significa que um projeto pode ser aprovado na Região do Centro, mas outro com as mesmas características, não ser aprovado na Região do Alentejo. Para tal, foram elaboradas Estratégias de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (RIS3 – Research and Innovation Strategies for Smart Specialisation), numa vertente regional, bem como a Estratégia Nacional para uma Especialização Inteligente (ENEI), numa vertente nacional, enquanto elementos integrantes da reforma da Política de Coesão da União Europeia para o período de 2014 a 2020. O conhecimento destas estratégias é absolutamente necessário para a elaboração de uma estratégia de crescimento da empresa perfeitamente enquadrada no desenvolvimento territorial da região e do país, passível de obtenção de fundos europeus para o investimento.
Estes documentos estão disponíveis para análise e download nas páginas de internet das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de cada uma das regiões de Portugal, bem como nas páginas de internet dos Programas Operacionais Regionais. Por exemplo, para os/as empresários/as da Região Centro interessados em desenvolver Projetos de Investimento passíveis de financiamento, a CCDR Centro (http://ris3.ccdrc.pt/) e o Centro 2020 (http://www.centro.portugal2020.pt/index.php/ris-3) disponibilizam o documento RIS3 da Região Centro, apresentando as seguintes áreas de interesse na região:
  1. Soluções industriais sustentáveis;
  2.  Valorização e uso eficiente dos recursos endógenos naturais;
  3. Tecnologias ao serviço da qualidade de vida; e
  4.  Inovação Territorial.


Outro documento que deve ser considerado como um instrumento essencial à análise e elaboração da estratégia das empresas é o Aviso do Concurso ao qual se pretenda efetuar uma candidatura, pois apresenta de uma forma sucinta as informações referentes aos critérios de elegibilidade específicos do concurso, bem como os objetivos gerais e os apoios financeiros a conceder em caso de aprovação. Em simultâneo com o Aviso é disponibilizado o Referencial de Mérito, onde são apresentadas de forma sucinta, as várias linhas e sublinhas de ação dos RIS3 regionais.
O levantamento das necessidades de investimento de uma empresa candidata aos fundos, deverá ter como apoio as estratégias de desenvolvimento regional e nacional, de modo a garantir que a estratégia a adotar para o desenvolvimento da empresa vá de encontro com a realidade regional e nacional. Este enquadramento permitirá desenvolver um projeto mais completo e sustentado, do ponto de vista estratégico, passível de obter financiamento europeu enquanto incentivo ao investimento.
Na elaboração, submissão e acompanhamento financeiro de candidaturas ao Portugal 2020, incluindo o Programa Operacional de Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020), a Multiaveiro – Projectos de Formação e Investimento, Lda., presta um apoio personalizado e completo, essenciais ao sucesso dos projetos desenvolvidos pelos/as seus/suas clientes.
“É mais importante adotar a estratégia correta do que buscar o lucro imediato.”
Philip Kotler - Professor de Marketing Internacional na Kellogg School of ManagementNorthwestern University

sexta-feira, 4 de março de 2016

Igualdade salarial?

O Dia da Igualdade Salarial celebra-se no próximo domingo, 6 de março. Este dia foi instituído pela União Europeia e deve representar, em cada país, o número de dias que as mulheres terão que trabalhar a mais para atingirem o mesmo salário que os homens num determinado ano: em Portugal, uma mulher tem que trabalhar, em média, mais 65 dias para igualar o salário de um homem em funções iguais/de valor igual.
De acordo com o Código de Trabalho Português, “na determinação do valor da retribuição deve ter-se em conta a quantidade, natureza e qualidade do trabalho, observando-se o princípio de que, para trabalho igual ou de valor igual, salário igual” (Artigo 270º - Critérios de determinação da retribuição), contudo, dados estatísticos demonstram que persistem desigualdades complexas e discriminações entre homens e mulheres no mercado de trabalho, designadamente no que respeita a remuneração:
- a desigualdade salarial entre homens e mulheres é, em grande medida, maior quanto mais elevado o nível de educação/qualificação: o diferencial salarial aumenta consoante o nível de escolaridade, sendo menor ao nível do 3º Ciclo do Ensino Básico e superior ao nível da Licenciatura, sendo esta desigualdade particularmente acentuada no nível de qualificação “Quadros superiores”;
- em abril de 2014, o ganho médio das mulheres era de 79,6% do valor médio dos homens.
Poderá demorar 118 anos para que as mulheres recebam os mesmos salários que homens em funções semelhantes, segundo o “The global gender gap report”, que comparou dados relativos a salários e oportunidades de carreira, nível de educação, saúde e sobrevivência e poderes políticos, para compreender a magnitude das disparidades entre homens e mulheres e acompanhar a sua evolução. Portugal encontra-se no 39º lugar da lista de 145 países.
As estatísticas atribuem particular importância e valor ao trabalho remunerado, contudo, o trabalho não remunerado (tarefas domésticas, responsabilidades familiares) ocupa também uma quantidade significativa de tempo, sobretudo das mulheres: ao trabalho remunerado e à rede de amizades é atribuída elevada importância por parte dos homens, sendo que das mulheres se espera, para além do exercício de uma atividade profissional remunerada, o desempenho das tarefas domésticas e das responsabilidades familiares - as mulheres despendem, em média, 21 horas por semana em tarefas semanais, ao passo que os homens investem apenas 8 horas semanais em tarefas semelhantes. O trabalho familiar, sobretudo as tarefas domésticas, tende a ser trivializado porque é frequentemente encarado como trabalho feminino, sendo que a participação dos homens no trabalho doméstico surge como opcional num grande número de casais.

Para reverter esta realidade, é fundamental que seja reconhecida e debatida, de forma a encontrar soluções alternativas que contemplem a efetiva igualdade de género. Desde o início da sua atividade que a Multiaveiro se tem empenhado na promoção da igualdade de oportunidades para todas as pessoas, homens e mulheres, o que se traduz em práticas inclusivas relacionadas, entre outras, com a constituição de grupos de formação e o recrutamento de equipas de consultores/as e formadores/as com base no princípio da igualdade e não discriminação, a abordagem transversal da temática em toda a formação desenvolvida, o Concurso “Construir igualdades, afirmar diferenças”, iniciativa que conta já com 4 edições, a consultoria na área da igualdade de género, designadamente, ao nível da implementação de planos para a igualdade nas autarquias e nas empresas, e a existência de diversas boas práticas neste âmbito, designadamente através da realização de formação interna para a totalidade dos recursos humanos e externa para todas as pessoas interessadas na temática.

Fontes Consultadas:
CITE – Comissão para a igualdade no trabalho e no emprego (www.cite.gov.pt).
GEE/ME, Boletim Estatístico (Janeiro 2015).
Perista, H., Maximiano, S. & Freitas, F. (2000). Família, género e trajetórias de vida: uma questão de (usos do) tempo. In IV Congresso Português de Sociologia.
World Economic Forum (2015), The global gender gap report 2015. Genebra: World Economic Forum.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Apoio administrativo-financeiro à gestão dos projetos nas escolas



Perante os desafios com que atualmente se deparam os/as Diretores/as, Docentes e Não Docentes das escolas, designadamente ao nível da crescente polivalência que lhes é exigida, da gestão dos recursos humanos internos e do aumento da carga burocrática, a consultoria externa surge como uma ferramenta facilitadora dos processos, revestida de uma visão isenta. Sendo muitas vezes a gestão deste tipo de projetos assumida pelas escolas, os critérios aplicados não beneficiam da imparcialidade de um “olhar” externo.
A libertação de tempo para as tarefas essenciais, inerentes à própria função, dos diversos recursos humanos internos e a adequada gestão dos projetos, são enumeradas como as principais vantagens do apoio externo.
Para que os resultados sejam alcançados de forma eficaz e eficiente, tendo sempre em vista o cumprimento de requisitos/normativos legais, é fundamental a existência de uma estreita colaboração entre a entidade consultora e a escola.
Com vasta experiência de consultoria técnica e financeira, a Multiaveiro garante a transferência de conhecimentos, informações e práticas, decorrentes da experiência obtida na elaboração e gestão de projetos/operações financiadas das escolas suas clientes.
Numa relação de sigilo, confiança e empatia, o que contribui desde logo para a formulação das soluções mais adequadas para a gestão do projeto e para as solicitações/esclarecimentos por parte do programa operacional, a intervenção do/a consultor/a passa por acautelar os procedimentos necessários em cada fase do projeto, designadamente:
- elaboração da candidatura;
- realização, sempre que necessário, de pedidos de alteração à decisão de aprovação;
- elaboração dos pedidos de reembolso e pedido de saldo final;
- preparação de pedidos de esclarecimento, em articulação com a escola, sempre que solicitados pelo programa operacional.
O rigor e o profissionalismo que pautam a atuação da Multiaveiro nesta matéria, traduzem de forma muita concreta e objetiva o compromisso a que nos propomos: a satisfação do cliente, por um lado, e a adequada gestão/execução do projeto/operação, por outro.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Apoio de uma entidade consultora a uma entidade beneficiária de um projeto financiado

A função de Consultor/a financeiro/a no âmbito da prestação de serviços de uma entidade consultora a uma entidade beneficiária, enquanto entidade promotora de candidatura financiada, implica o conhecimento de questões fundamentais à execução eficaz de projetos.

Sendo um elemento de coordenação entre estas duas entidades, o/a Consultor/a deverá conhecer as características da entidade beneficiária e a candidatura apresentada, estabelecer uma relação de confiança com os recursos humanos afetos ao projeto e triangular pareceres técnicos sempre consistentes com os enquadramentos legais, regulamentos e orientações técnicas do Programa Operacional (PO) ao qual a candidatura foi submetida. É ainda fundamental que o/a Consultor/a se mantenha continuamente informado/a sobre o desenvolvimento do projeto e em contacto com a Autoridade de Gestão (estrutura de gestão do PO), para que em situações imprevistas ou menos lineares de execução possam ser atempada e eficazmente resolvidas.

Questões práticas de foco da consultoria na gestão e boa execução financeira dos projetos financiados:

i)           Análise previsional das despesas aprovadas por rubrica, mediante o cronograma das atividades/ações;
ii)          Aconselhamento e orientação ao/à responsável pelo processo contabilístico (TOC) na estruturação do centro de custos (CC) da operação associada às rubricas aprovadas;
iii)         Verificação de cópias dos documentos previamente tratados pelo TOC, na ótica dos custos elegíveis, exigidos pelo PO e definição de ajustamentos sempre que necessários;
iv)         Execução dos procedimentos técnicos administrativos inerentes à gestão do projeto no Balcão 2020 (atual plataforma) de acordo com as fases e exigências de execução, entre os quais, a elaboração de listagens de despesas pagas intrínsecas aos reembolsos;
v)          Monitorização do grau de cumprimento dos resultados acordados e metas contratualizadas com a autoridade de gestão (AG);
vi)         Preparação de informação e de esclarecimentos técnicos associados à gestão do processo quando devidos;
vii)        Aconselhamento em matéria de cumprimento dos normativos legais que enquadram o projeto;
viii)       Organização de processo documental do projeto de acordo com as diretrizes aplicáveis;
ix)         Verificação se o modelo de custos foi estabelecido com base num método de custo justo, equitativo e verificável para a implementação de instrumentos facilitadores de futuras necessidades ao nível de controlo e auditoria.


A Multiaveiro assegura, na execução dos projetos, zelo, dedicação e boa colaboração com a entidade beneficiária e os/as stakeholders, de modo a serem atingidos os melhores resultados.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Violência nas Relações de Intimidade

Mais um Dia de S. Valentim a chegar e, como vem sendo hábito, são muitos os casais, restaurantes, hotéis, lojas a promover formas distintas de celebrar o Amor!! No entanto, nem todos os casais têm uma relação que mereça ser celebrada neste ou noutros dias…

Várias são as relações de intimidade em que a Violência é uma realidade que uma das partes preferia não estar a viver!!

Só no ano de 2015, 25 mulheres foram mortas pelos maridos, amantes ou companheiros. Dessas 25 mulheres nove tinham apresentado queixa. Uma dessas denúncias aconteceu apenas algumas horas antes do homicídio.

Em Portugal, como noutros países, a violência é uma grave violação dos Direitos Humanos e uma problemática que tem sido alvo de vários esforços de combate. O V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género 2014-2017 é exemplo desse combate. Assim, a violência de género é definida como: “uma grave violação dos direitos humanos, em particular das mulheres, tal como foi definido na Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1995. É também um grave problema de saúde pública, como afirmou a Organização Mundial da Saúde, em 2003.” Ao longo dos anos têm sido feitas várias recomendações por parte de organismos europeus e internacionais no sentido de se intensificarem os esforços por parte dos Estados para eliminar todas as formas de violência, especialmente contra as mulheres.

Que tipos de violência existem?
De acordo com a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) verificam-se diferentes tipos de violência:
* violência emocional: o comportamento do/a companheiro/a visa fazer o/a outro/a sentir medo ou sentir-se inútil. Usualmente através de: ameaças aos/às filhos/as; magoar os animais de estimação; humilhar o/a outro/a na presença de amigos/as, familiares ou em público, entre outros;
* violência social: o/a agressor/a intenta pelo seu comportamento controlar a vida social do/a companheiro/a, através de, por exemplo, impedir que este/a visite familiares ou amigos/as, cortar o telefone ou controlar as chamadas e as contas telefónicas, trancar o outro/a em casa;
* violência física: as formas de violência física que um/a agressor/a inflige ao/à companheiro/a podem traduzir-se em comportamentos como: esmurrar, pontapear, estrangular, queimar, induzir ou impedir que o/a companheiro/a obtenha medicação ou tratamentos;
* violência sexual: o/a companheiro/a força o outro a protagonizar atos sexuais que não deseja, por exemplos: pressionar ou forçar o/a companheiro para ter relações sexuais quando este/a não quer; pressionar, forçar ou tentar que o/a companheiro/a mantenha relações sexuais desprotegidas; forçar o/a outro/a a ter relações com outras pessoas.
* violência financeira: o/a agressor/a intenta controlar o dinheiro do/a companheiro/a sem que este/a o deseje. Alguns destes comportamentos podem ser: controlar o ordenado do/a outro/a; recusar dar dinheiro ao/à outro/a ou forçá-lo/a a justificar qualquer gasto; ameaçar retirar o apoio financeiro como forma de controlo.
* perseguição: o comportamento visa intimidar ou atemorizar o/a outro/a, nomeadamente através de: seguir o/a companheiro/a para o seu local de trabalho ou quando este/a sai sozinho/a; controlar constantemente os movimentos do/a outro/a, quer esteja ou não em casa.



Será que no Namoro estes tipos de violência se aplicam?
Também no Namoro, como em qualquer outro relacionamento de intimidade, pode-se verificar qualquer um dos tipos de violência acima referidos. Segundo a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), a Violência no Namoro existe em percentagens angustiantes “entre 25% a 35% dos jovens, alegadamente justificado por ciúmes e pela ideia subvertida de que alguém “tem ciúme porque gosta muito”. Não sendo necessariamente física, a Violência reveste-se de múltiplas formas e evidencia-se em momentos e atividades da vida diária dos/as jovens. O controlo do horário de entrada e saída da escola, o controlo das mensagens SMS ou mails recebidos e enviados são pois alguns exemplos de formas de Violência no Namoro com que rapazes e raparigas são ameaçados/as desde a adolescência.



Apesar destas situações se verificarem quase sempre na intimidade e privacidade das relações/casa, é considerado um crime público, como tal pode ser denunciado por qualquer pessoa que tenha conhecimento delas. Ou seja, a Violência Doméstica assume a natureza de crime público, o que significa que o procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia. A apresentação de queixa pode ser feita por parte da vítima de crime, ou da Denúncia do crime por qualquer pessoa ou entidade, numa Esquadra da PSP, Posto da GNR, Polícia Judiciária, ou diretamente no Ministério Público.

Em termos estatísticos verifica-se que a Vítima é geralmente do sexo feminino (84%), casadas ou em união de facto (48%), com 41 anos e que não dependem economicamente do agressor. A violência física é a que assume maior expressão nas situações de violência doméstica entre namorados (88%). No ano de 2014, o distrito de Aveiro encontrava-se em 4º lugar com 1860 ocorrências de violência doméstica participadas às forças de segurança (PSP e GNR) depois de Lisboa (5851), Porto (5151) e Setúbal (2310). Para que estes números diminuam, muito mais terá que se verificar, nomeadamente, uma alteração de mentalidades e comportamentos. Não é fácil e não se verifica essa mudança de comportamentos/mentalidades com a rapidez que seria desejada. Todos/as temos que nos empenhar nesta transformação e mudança da sociedade em que vivemos.

A Multiaveiro, ao longo dos últimos anos, tem vindo a promover diferentes atividades / momentos de reflexão nos seus grupos de formação por forma a alertar e sensibilizar os/as formandos/as (tentando também chegar às suas famílias) para a problemática da Igualdade de Género. São exemplos desse trabalho:
1- Concurso “Construir igualdades, afirmar diferenças” – Formandos/as (desde 2009) – em que cada grupo de formação apresentava um cartaz (original e inédito) da autoria dos/as Formandos/as que poderia conter fotografias/desenhos e textos (máximo de 100 palavras);
2- Concurso “Construir igualdades, afirmar diferenças” – Equipas Formadoras (desde 2011) – cada Equipa Pedagógica elaborava um jogo pedagógico a ser aplicado nos vários cursos de formação;
3- Módulos de Igualdade de Género e Oportunidades;
4- Formação de Públicos Estratégicos (2013-2014);
5- Elaboração de Manuais, materiais e jogos pedagógicos nas diferentes temáticas da Igualdade de Género;
6- Workshop sobre Igualdade de Género (2014);
7- Planos para a Igualdade dirigidos a todo o tipo de organizações (empresas, autarquias, IPSS, associações empresariais e associações de desenvolvimento local e regional);
8- Elaboração e Acompanhamento de Candidaturas nas Tipologias Formação de Públicos EstratégicosApoio financeiro e técnico a organizações da sociedade civil sem fins lucrativos que atuam no âmbito da promoção da igualdade de género e da prevenção e combate à violência doméstica e de género e ao tráfico de seres humanos Planos para a Igualdade.


Fontes:
SGMAI (Agosto 2015), Violência Doméstica 2014 – Relatório Anual de Monitorização, Lisboa: Ministério da Administração Interna
V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género, 2014-2017