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segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Importância das Parcerias nas IPSS


O trabalho em parceria com outras IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) tem vindo a ser impulsionado com o intuito de articular o trabalho dos e das profissionais e a maximização do uso dos recursos para assegurar um maior apoio a clientes em situação de vulnerabilidade social e suas famílias, com o menor dispêndio de recursos possível.
O trabalho em parceria permite um conhecimento integrado, completo, abrangente e multidimensional das questões a trabalhar, uma vez que (re)une esforços e competências, maximiza recursos e complementa capacidades de entendimento e resposta. Por vezes, os/as técnicos/as deparam-se com alguns constrangimentos na prossecução dos trabalhos a realizar, nomeadamente na divisão/especialização de tarefas a executar e na difícil articulação institucional.
Os grandes objetivos do trabalho em rede (parcerias) passam pela eliminação da sobreposição de serviços, equipamentos e recursos dirigidos aos/às mesmos/as destinatários/as e o alcance de uma maior especialização, qualidade e eficácia dos serviços prestados.
Para que estes objetivos se realizem é imprescindível às IPSS:
1. Intensificar o diálogo e a cooperação entre instituições;

2. Mobilizar/sensibilizar a sociedade civil envolvente;
3. Organizar grupos de trabalho por áreas temáticas de modo a planear estratégias alicerçadas aos problemas sociais identificados;
4. Desenvolver/implementar ferramentas de trabalho comuns a todos os parceiros;
5. Partilhar junto dos parceiros os objetivos de cada IPSS e as linhas de atuação que pretendem seguir para, conjuntamente, haver um enquadramento pacífico e integrado;
6. Promover, no seio dos parceiros, encontros periódicos para atualização da informação e da realidade social;
7. Elaborar, conjuntamente, um plano de necessidades formativas para implementar ações de formação/sensibilização/informação junto de colaboradores/as, clientes, familiares, cuidadores/as e sociedade em geral.
Esta iniciativa formativa surte maiores e melhores resultados se as IPSS se unirem na constituição de turmas, porque, desta forma, conseguem o número suficiente de formandos/as para qualquer área de interesse, o que dificilmente seria possível a título individual (cozinha, jardinagem, lavandaria, animação, administrativa, gestão recursos humanos…);
8. Aumentar e responsabilizar o envolvimento dos parceiros na realização de atividades comuns;
9. Esclarecer, entre os parceiros, o limite/teor da confidencialidade e sigilo profissionais na prossecução das suas intervenções/atividades;
10. Realizar, frequentemente, reuniões de trabalho para melhor planear/acompanhar/atuar/prever/intervir/avaliar as intervenções realizadas;
11. Comemorar/festejar datas temáticas em conjunto, com o intuito de reforçar e fortalecer as parcerias, maximizando e dinamizando recursos;
12. Elevar e reforçar a expressão/influência junto do poder político e do setor público no sentido de os sensibilizar das suas necessidades, bem como no alcance dos seus objetivos;
13. Apostar na existência de um marketing social trabalhado em rede, traduzindo-se numa mais-valia para todos os parceiros, no sentido de darem a conhecer os seus serviços, bem como o seu trabalho e a possibilidade de captarem apoios, monetários ou não, junto de empresas, privados ou outras organizações;
14. Criação de um banco de voluntariado em rede.

O caminho para o alcance da sustentabilidade nas IPSS passa pela existência/reforço de parcerias com outras IPSS, com outros agentes sociais, privados ou públicos. A implementação de parcerias no setor social traduz a possibilidade de fazer mais e melhor, com menos recursos. O projeto de uma entidade pode ser o projeto de muitas ou de todas. As IPSS têm de ter capacidade de atrair novos parceiros, de se abrir e de conquistar visibilidade na implementação de novos desafios/objetivos em prol da sustentabilidade.
Ao longo dos seus 24 anos de atividade a Multiaveiro desenvolveu um importante trabalho na formação dirigida a IPSS, diagnosticando as suas necessidades e desenvolvendo intervenções formativas à medida, intra e inter, para este segmento de clientes.

Neste momento, conjuntamente com as equipas de trabalho das IPSS clientes e potenciais clientes, a Multiaveiro encontra-se a preparar um plano formativo à medida das necessidades evidenciadas pelas instituições, estando prevista a abertura de candidaturas ao Portugal 2020 (Qualificação dos Ativos) para o presente mês de junho.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Viabilidade nas IPSS


Atualmente, a economia social, mais propriamente através das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), gere orçamentos anuais de vários milhões de euros. É fundamental que os seus órgãos sociais, maioritariamente voluntários/as, sejam apoiados por uma equipa de recursos humanos com experiência em gestão e administração. Hoje as IPSS necessitam, impreterivelmente, para o seu pleno funcionamento, de praticar uma gestão empresarial com sentido/orientação social.
Para a prática de uma gestão empresarial com orientação social, os órgãos sociais contam:
I) Voluntariado especializado em diversas áreas de atuação (gestão de tesouraria, decisão e prioridades nos investimentos, desenvolvimento de novos serviços/respostas, implementação de técnicas de marketing (social), otimização do relacionamento externo com bancos, fornecedores, mecenas ou outras IPSS. A existência de voluntariado especializado permite, às IPSS, suprir as necessidades de pessoal qualificado, que, muitas vezes, precisam apenas a tempo parcial e que dificilmente conseguiriam suportar economicamente. Cabe às instituições desempenhar um bom trabalho para atrair e convencer uma equipa diversificada de voluntários/as (médico/a, advogado/a, enfermeiro/a, gestor/a) que contribuam para o pleno funcionamento da instituição e a tornem viável e sustentável financeiramente.
II) O estabelecimento de acordos públicos nas IPSS tem que passar a ser encarado como uma, entre muitas outras, fonte de receita e não como a única ou a principal.
Esta transformação de mentalidades tem que existir no núcleo diretivo das IPSS para que se possa alterar estratégias e traçar objetivos para diversificar fontes de receitas.
III) Implementação de estratégias diversificadas para a obtenção de fontes de receitas:
- Rentabilização dos seus imóveis
Rentabilizar os imóveis das IPSS (prédios, lojas, casas, quintas, herdades, …) através do arrendamento. As IPSS devem fazer um esforço para remodelar/requalificar/adaptar os imóveis para os arrendar, para daí retirarem contrapartida financeira ou onde o pagamento pode ser realizado em géneros, que poderão ser consumidos pela instituição.
- Assinatura de protocolos/parcerias com empresas tendo subjacente a responsabilidade social
As IPSS recebem donativos em géneros e, em contrapartida, as empresas beneficiam da publicidade realizada e veem o seu gesto, no âmbito da responsabilidade social, ser reconhecido e valorizado.
- Prática de programas de mentoring e realização de eventos diversos para angariação de donativos
O/A cidadão/ã gosta de ajudar alguém com rosto específico e não efetuar donativos indiferenciados. Num programa de mentoring cada doador/a financia uma necessidade específica, seja ela humana, social, cultural, intergeracional ou uma causa singular, como a renovação de uma sala de atividades de uma resposta social ou uma sala de reabilitação de uma unidade de cuidados continuados e, em contrapartida, fica com o seu nome na placa dos/as benfeitores/as do projeto, ou até mesmo, dão o seu nome ao espaço ou à própria causa social.
- Implementação de uma política de redução de custos acompanhada pela eficiência na utilização dos recursos existentes
Criação e participação em centrais de compras de bens e serviços que permitam usufruírem de preços mais vantajosos. Esta estratégia permite incrementar a cooperação entre IPSS parceiras através da partilha de instalações físicas, equipamentos ou recursos humanos especializados. Os mesmos recursos podem ser utilizados por diversas entidades parceiras (IPSS), o que origina uma maximização de resultados financeiros. O ideal passaria pela existência de IPSS especializadas em determinadas respostas e serviços sociais, bem como pela prática de um trabalho em rede e acompanhado pelo encaminhamento de clientes. Esta medida devia ser acompanhada pela partilha de recursos humanos especializados entre IPSS congéneres.
As IPSS, muitas vezes, têm a possibilidade de assinar protocolos diversos com organismos públicos (escolas, hospitais) ou privados (empresas, restaurantes, ginásios), que se tornam numa importante fonte de receita (exemplo: refeições nas escolas, empresas, centros de saúde ou serviços de lavandaria para ginásios, restaurantes, empresas, clínicas, etc.).
IV) Aproveitamento de todas as oportunidades de financiamento na apresentação de candidaturas diversas, com o objetivo de receber uma ajuda financeira na aquisição de equipamento diverso, fundamental para o pleno funcionamento da instituição, bem como a realização de obras.
Nas IPSS, a gestão empresarial com orientação social tem que passar, obrigatoriamente, pela diversificação das fontes de receitas e pela implementação de novas estratégias de atuação, salvaguardando, sempre, o cumprimento do seu objetivo primordial que passa pela maximização da qualidade dos serviços prestados, em função das necessidades dos seus clientes.
Face ao exposto, a estratégia dos Programas Operacionais (PO) no âmbito do Portugal 2020, na vertente social, passa pelo alcance de um crescimento/desenvolvimento inteligente, sustentável e inclusivo. www.portugal2020.pt
Ao longo da sua atividade, e nos diversos programas de apoio dos quadros comunitários anteriores, a Multiaveiro apoiou múltiplos clientes institucionais, IPSS e outros, na preparação e acompanhamento dos seus projetos de financiamento, os quais se revelaram importantes na obtenção da viabilidade económica, financeira e social.
É no seguimento deste contexto e com o intuito de alcançar o patamar da viabilidade que as Organizações da Economia Social aguardam pela abertura de diversas candidaturas ao Portugal 2020, designadamente, entre outros:
Programa de Capacitação para o Investimento Social
Eficiência Energética nas Empresas
Equipamentos Sociais